quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

COMEÇA NA TERÇA-FEIRA O CONGRESSO DE CONSTRUÇÃO EM COIMBRA


CONGRESSO DE CONSTRUÇÃO EM COIMBRA

"De 18 a 20 de dezembro de 2012, a Universidade de Coimbra, através do Departamento de Engenharia Civil e do Centro de Investigação em Ciências da Construção, acolhe e organiza o Congresso Nacional da Construção – 2012, evento que adquiriu já o seu espaço próprio no contexto da troca de experiências, divulgação da investigação e reflexão sobre os sempre crescentes desafios do sector da construção em Portugal. Nas edições anteriores, realizadas em 2001, 2004 e 2007, respectivamente em Lisboa, Porto e Coimbra, verificou-se um elevado nível de adesão e resultados significativos para a construção progressiva de uma consciência colectiva do sector, em torno das novas tecnologias, dos novos materiais e modelos de gestão e de projeto, mas também dos desafios da construção sustentável e da valorização do patrimônio construído".

O Programa de Pós-Graduação em Estruturas e Construção Civil - UnB estará presente no evento com diversos artigos, destacando-se entre eles:

ESTUDO DA QUANTIFICAÇÃO DA DEGRADAÇÃO DAS FACHADAS EM EDIFÍCIOS JOVENS
Elton Bauer, Maria de Nazaré B. Silva e Eliane Kraus


MITIGAÇÃO DA RETRAÇÃO AUTÓGENA EM MICROCONCRETOS DE ALTA RESISTÊNCIA COM ADIÇÃO DE POLIMEROS SUPERABSORVENTES 
Sirley Tatiana López Ordóñez, Eugenia Fonseca da Silva, Elton Bauer e Anne Neiry Mendoça Lopes

A PROGRAMAÇÃO JÁ ESTÁ DISPONÍVEL EM:
www.itecons.uc.pt/construcao2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Vamos perguntar novamente ???



É usual e adequado o desempenho encontrado nas fachadas ? Os elementos que a compõe são descartáveis?

A pergunta nos tem sido feita com frequência em solicitações demandadas ao Laboratório de Ensaio de Materiais da UnB. Além disso, aprofunda-se o questionamento colocando: “É usual a queda de placas cerâmicas em fachadas”? “É um comportamento esperado ter de revitalizar a fachada com obras intensas e custosas de reconstituição a cada 5 anos”? “Tenho de conviver com as infiltrações pela fachada, isso não tem solução”?.
A resposta veemente é um sonoro NÃO. A boa técnica da construção trabalha com uma vida útil bem maior que os 10 anos mencionados. Flores Colen (1989), discorrendo sobre vida útil de fachadas rebocadas aponta estudo da ASTM que prescreve vida útil mínima de aproximadamente 30 anos. No Brasil, a norma de desempenho NBR 15575-1 traz em seu anexo C a proposta de vida útil de projeto mínima (VUP) de 40 anos. Se isso é assim, porque as pastilhas cerâmicas caem tão rapidamente, porque a água infiltra na fachada?

Cabe aqui primeiramente uma definição bem simples. A vida útil ou vida em serviço de um material ou componente de uma edificação é o período de tempo, depois da instalação em que todas as propriedades são superiores a um valor mínimo aceitável, quando rotineiramente mantidos (ASTM). Cabe então colocar a questão importante da manutenção. Manutenção é o conjunto de atividades desenvolvidas com o objetivo de manter a edificação com suas características de segurança, funcionalidade desempenho e estética previstas, dentro de custos pré-definidos.

Podemos nitidamente entender que as quedas de pastilhas e placas cerâmicas com 5, 10 anos não são em geral oriundas de falhas de manutenção. Pode ser que uma falha de rejunte ou uma falha na junta de movimentação levem a infiltrações pontuais que ajudem no descolamento pontual de placas cerâmicas. Agora, ter de refazer uma fachada inteira a qual apresenta alto índice de descolamento com 10 anos de uso é uma inconsistência.

Mas então, o que ocorre? São várias coisas. Primeiramente tem-se a necessidade de uma correta elaboração das especificações e projetos de fachada. As especificações devem levar em conta os materiais, técnicas de execução e também o controle de qualidade. É interessante observar, por exemplo, que a Norma Brasileira NBR 13281/2005 trouxe uma série de classificações, requisitos e metodologias de ensaios para as argamassas. Esses são desprezados pela maioria dos projetistas de fachada. As placas cerâmicas por sua vez, são compradas quase que somente por critérios estéticos, esquecendo-se por exemplo da especificação de uma expansão por umidade máxima (valores altos da expansão por umidade levam ao descolamento das placas cerâmicas quando da exposição á chuva).


Se os materiais são fracamente controlados, o que dizer das técnicas de execução e do revestimento executado. É impressionante a ausência da aplicação de rotinas de controle de qualidade ou controle de recebimento. Essas rotinas existem e estão disponíveis nos principais laboratórios do país. O que se vê no cotidiano são situações em que se usam (quando se usam) ensaios pouco adequados para comprovar o recebimento de um revestimento, como é o caso do ensaio de aderência. Esse ensaio para as argamassas, regulamentado pela NBR 13528, é tão polêmico, que própria norma não especifica como chegar ao valor resultado do ensaio (média, mediana, etc..). E cotidianamente vemos fachadas e fachadas sendo “aprovadas” com poucos pontos ensaiados, num ensaio extremamente variável.
O somatório disso tudo é o que temos: pastilhas caindo, reboco descolando, e aí vai.

Muito bem !! Vamos agora falar da revitalização da fachada. Se vou recuperar a fachada,  quero elevar o desempenho da mesma a um nível adequado, e quero que o mesmo seja mantido ao longo da vida útil. Pois bem, como vou conseguir isso se as técnicas e materiais usados na revitalização (e as deficiências também) são os mesmos da época da construção ? E o controle de qualidade aí qual é? Nós sabemos: provavelmente NENHUM.
Assim, somos fadados a revitalizar a fachada a cada 5 anos, ou talvez 10. Não passa disso. Tecnicamente e economicamente isso é uma vergonha.

Respondendo a questão do nobre síndico a qual coloquei no início, respondo: “não é normal e essas anomalias não podem ocorrer de forma generalizada como observamos em vários edifícios”. Como argumento, olhem para os edifícios antigos em Brasília. Há fachadas com mais de 50 anos sem descolamento algum de placas cerâmicas. Há também edifícios novos com fachadas perfeitas onde a técnica e a preocupação foram adequados.

Leia mais:



FLORES COLLEN, I. Metodologia de avaliação do desempenho em serviço de fachadas rebocadas na óptica da manutenção predictiva. Lisboa, (doutorado) IST, 2009.

ANTUNES, G. Estudo de manifestações patológicas em revestimento de fachada em Brasília – sistematização da incidência de casos. Brasília, (mestrado) PECC-UnB, 2010.

BAUER, E. ; CASTRO, E. K. ; SILVA, M. N. B. . Patologia e deterioração das fachadas de edifícios em Brasília - Estudo da quantificação de danos. In: 4o Congreso de Patologia Y Rehabilitación de Edifícios - PATORREB 2012, 2012, Santiago de Compostela. Actas del 4o Congreso de Patologia Y Rehabilitación de Edifícios - PATORREB 2012. Santiago de Compostela: Colexio Oficial de Arquitectis de Galicia, 2012.

BAUER, E. ; CASTRO, E. K. ; LEAL, F. E. ; ANTUNES, G.R. . Identification and quantification of failure modes of new buildings façades in Brasília. In: XII INTERNATIONAL CONFERENCE ON DURABILITY OF BUILDING MATERIALS AND COMPONENTS, 2011, PORTO - PORTUGAL. XII INTERNATIONAL CONFERENCE ON DURABILITY OF BUILDING MATERIALS AND COMPONENTS. PORTO - PORTUGAL: FEUP EDIÇÕES, 2011. v. 3. p. 1089-1096.

BAUER, E. ; CASTRO, E. K. ; ANTUNES, G.R. . Patologias mais correntes nas fachadas de edifícios em Brasília. In: 3o. CONGRESSO PORTUGUÊS DE ARGAMASSAS DE CONSTRUÇÃO, 2010, LISBOA. ANAIS DO 3o CONGRESSO PORTUGUÊS DE ARGAMASSAS DE CONSTRUÇÃO. LISBOA: APFAC, 2010.

BAUER, E. ; CASTRO, E. K. ; ANTUNES, G.R. . ANÁLISE DA DEGRADAÇÃO EM REVESTIMENTOS DE FACHADA DE EDIFÍCIOS EM BRASÍLIA. In: XII ENCONTRO NACIONAL DE TECNOLOGIA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO, 2010, CANELA. XII ENCONTRO NACIONAL DE TECNOLOGIA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO. PORTO ALEGRE: ANTAC, 2010. v. XII.

PRAZO DE ARTIGOS DO SBTA É 15/12/2012


Em 2013, nos dias 07, 08 e 09 de maio de 2013, acontecerá, em Fortaleza, Ceará, a décima edição do Simpósio Brasileiro de Tecnologia de Argamassas – X SBTA.
O X SBTA acontece em um momento de forte crescimento do país, amplamente favorável à expansão das atividades industriais e à realização de parcerias e negócios. O Setor de construção civil está em ritmo acelerado de atividades e o segmento de argamassas tem enorme mercado a conquistar. Portanto, é uma excelente oportunidade de intercâmbio para impulsionar conquistas e avanços.
Com programação diversificada, o evento terá apresentação de palestras, trabalhos científicos e exposição de produtos e serviços, onde serão divulgados os mais recentes resultados de pesquisas das universidades e laboratórios e as inovações tecnológicas do setor.
O prazo final para envio dos artigos aprovados é 15/12/2012. Alertamos aos autores que houveram mudanças no processo de envio dos artigos. Consultem o web site ou se informem com a comissão organizadora.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

13o SIMPÓSIO BRASILEIRO DE IMPERMEABILIZAÇÃO

Até 17 de dezembro de 2012 é o prazo para envio dos resumos para o 13o Simpósio Brasileiro de Impermeabilização promovido pelo Instituto Brasileiro de Impermeabilização - IBI

http://www.ibibrasil.org.br/simposio2013


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

TEMA DE PESQUISA - PECC

PESQUISA DE DOUTORADO (em andamento)

LYSSYA SUELEN PEREIRA DA SILVA
Prof. ELTON BAUER (Orientador)

INFLUÊNCIA DOS ASPECTOS LITOLÓGICOS, TEXTURAIS E MORFOSCÓPICOS DAS PARTÍCULAS FINAS DOS AGREGADOS NO COMPORTAMENTO REOLÓGICO DAS ARGAMASSAS DE REVESTIMENTO

As argamassas de revestimento têm diversas finalidades na construção civil, sendo empregadas durante a execução da edificação, desde a implantação do canteiro até a conclusão da obra. Segundo a ABNT/NBR 13529 (1995), são obtidas através de mistura homogênea de agregados miúdos, aglomerantes inorgânicos e água, podendo conter ou não aditivos ou adições, e devem possuir propriedades de aderência e endurecimento.  As argamassas de revestimento contribuem para o desempenho da edificação e por isso devem atender aos requisitos de proteção da alvenaria e a estrutura contra a ação do intemperismo, contribuir para o isolamento térmico, isolamento acústico, estanqueidade à água, segurança ao fogo, resistência ao desgaste e abalos superficiais, regularizar a superfície dos elementos de vedação e servir como base para acabamentos decorativos, contribuindo para a estética da edificação. Essas argamassas devem possuir trabalhabilidade (consistência, plasticidade e adesão inicial), retração, aderência, permeabilidades à água, resistência mecânica e capacidade de absorver deformações, para que possam satisfazer as suas funcionalidades quando integradas no sistema de revestimento.
Os avanços no estudo das argamassas de revestimento trazem consigo alterações das técnicas de construção e aplicação, assim como o emprego de novos materiais. Nesse sentido a utilização de diferentes tipos de aglomerantes e agregados, aditivos (incorporadores de ar, retentores de águas, dentre outros), adesivos poliméricos e fibras, tem sido realizada a fim de melhorar algumas propriedades no estado fresco. Cabe destacar também que a utilização dos diferentes tipos de materiais exigem técnicas diferentes de avaliação que permitam analisar a litologia (composição dos grãos), avaliar a morfoscopia (parâmetros texturais, de forma e distribuição granulométrica), mensurar propriedades reológicas, dentre outros.
Para Neville (1975) o estado fresco é uma fase que propicia muitas das utilizações normais dos materiais cimentíceos, como por exemplo, manuseio, aplicação e compactação do material. Nesse sentido, resistência e durabilidade desses materiais são obtidas após um período de plasticidade, durante o qual é muito importante o controle das propriedades reológicas para se atingir o controle de qualidade e determinação das propriedades dos materiais.
Particularmente no caso da argamassa de revestimento o bom entendimento das propriedades reológicas é importante uma vez que as atividades realizadas no processo dependem das características da argamassa no estado fresco, sendo seu conhecimento fundamental na homogeneização dos constituintes da argamassa, características de aplicação da argamassa na superfície do substrato, no momento do espalhamento (força da argamassa sobre o substrato), para adequado sarrafeamento, entre outros. Os diferentes comportamentos da argamassa no estado fresco podem acarretar consequências negativas para as características do produto endurecido, uma vez que reologia está relacionada a propriedades como a viscosidade, e interfere na aplicação e na aderência do revestimento.
A contribuição do presente trabalho está em avaliar o comportamento reológico de argamassas de revestimento no estado fresco, através da correlação de ensaios tecnológicos, reômetria e caracterização de parâmetros litológicos e morfoscópicos, com o intuito de investigar as mudanças de comportamento reológico com a utilização de finos de diferentes procedências.


O trabalho está voltado para utilização de parâmetros capazes de quantificar o comportamento reológico das argamassas de revestimento no estado fresco, que muitas vezes são avaliados de forma indireta e qualitativa, visando atender a uma determinada condição de aplicação ou trabalhabilidade.

A pesquisa pretende produzir argamassas mistas de cimento, cal e areia, utilizadas usualmente na execução dos sistemas de revestimento. Será realizada a avaliação litológica, morfoscópica (parâmetros texturais, de forma e distribuição granulométrica) dos grãos, através da introdução de finos nestas composições para que se possa entender como este tipo de partícula modifica o fluxo do material. Para cada composição será verificado o teor de finos existentes nas areias, em seguida retirados, e depois acrescentados teores pré-determinados de finos para analisarmos, também, a influência dos finos nas propriedades das argamassas.
Para a determinação das propriedades reológicas das argamassas de revestimento está sendo utilizado o Viscosímetro Programável DVIII Ultra, que é capaz de fornecer uma análise mais detalhada da argamassa, uma vez que é possível obter dados de viscosidade e tensão de cisalhamento, parâmetros fundamentais para a caracterização do material.




O presente trabalho está inserido na linha de pesquisa de Sistemas Construtivos e Desempenho de Materiais e Componentes do Programa de Pós-graduação em Estruturas e Construção Civil da Universidade de Brasília, particularmente no tema “Argamassas de revestimento”.

REFERÊNCIAS INICIAIS
ARNOLD, D. C. M. Análise da influência da forma dos grãos nas propriedades das argamassas. Dissertação (Mestrado). Universidade do vale do rio dos sinos - UNISINOS, São Leopoldo, 2011.
BANFILL, P. F. G. Rheological methods for assessing the flow properties of mortar end related materials. Construction and Building Materials, p. 43-50. 1994.
BAUER, E. ; MOTA, N. M. B.; KRAUS, E. ; E PEREIRA, C. H. A. F. Consistência das argamassas de revestimento e sua relação com a demanda de água e as partículas finas. E-Mat – Revista de ciência e Tecnologia de Materiais de Construção Civil, v. 3, n. 2, p. 91-102, Novembro, 2006. 
DE SCHUTTER, G.; e POPPE, A. M. Quantification of the water demand of sand in mortar. Construction and Building Materials. p. 517-521. 2004.
KWAN, A. K. H.; FUNG, W. W. S.;  WONG, H. H. G. Water film thickness, flwability and rheology of cement-sand mortar. Advances in Cement Research, v. 22, n°1, 2010. 
KWAN, A. K. H.; MORA, C. F.; CHAN, H. C. Particle shape analysis of coarse aggregate using digital image processing. Cement and Concrete Research, v. 29, p. 1403-1410, 1999.
MIN, B. H.; ERWIN, L.; JENNINGS, H. M. Rheological behavior of fresh cement past as measured by squeeze flow. Journal of materials science. v. 9, p. 1374-1381, 1994.
SOUZA, J. G. G. de. Contribuição ao Estudo das Propriedades das Argamassas de Revestimento no Estado Fresco. Tese (Doutorado). Universidade de Brasília. Brasília, 2005.
TRISTÃO, F. A. Influência dos parâmetros texturais das areias nas propriedades das argamassas mistas de revestimento. Tese (Doutorado). Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2005.