quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

TEMA DE PESQUISA - PECC

PESQUISA DE DOUTORADO (em andamento)

LYSSYA SUELEN PEREIRA DA SILVA
Prof. ELTON BAUER (Orientador)

INFLUÊNCIA DOS ASPECTOS LITOLÓGICOS, TEXTURAIS E MORFOSCÓPICOS DAS PARTÍCULAS FINAS DOS AGREGADOS NO COMPORTAMENTO REOLÓGICO DAS ARGAMASSAS DE REVESTIMENTO

As argamassas de revestimento têm diversas finalidades na construção civil, sendo empregadas durante a execução da edificação, desde a implantação do canteiro até a conclusão da obra. Segundo a ABNT/NBR 13529 (1995), são obtidas através de mistura homogênea de agregados miúdos, aglomerantes inorgânicos e água, podendo conter ou não aditivos ou adições, e devem possuir propriedades de aderência e endurecimento.  As argamassas de revestimento contribuem para o desempenho da edificação e por isso devem atender aos requisitos de proteção da alvenaria e a estrutura contra a ação do intemperismo, contribuir para o isolamento térmico, isolamento acústico, estanqueidade à água, segurança ao fogo, resistência ao desgaste e abalos superficiais, regularizar a superfície dos elementos de vedação e servir como base para acabamentos decorativos, contribuindo para a estética da edificação. Essas argamassas devem possuir trabalhabilidade (consistência, plasticidade e adesão inicial), retração, aderência, permeabilidades à água, resistência mecânica e capacidade de absorver deformações, para que possam satisfazer as suas funcionalidades quando integradas no sistema de revestimento.
Os avanços no estudo das argamassas de revestimento trazem consigo alterações das técnicas de construção e aplicação, assim como o emprego de novos materiais. Nesse sentido a utilização de diferentes tipos de aglomerantes e agregados, aditivos (incorporadores de ar, retentores de águas, dentre outros), adesivos poliméricos e fibras, tem sido realizada a fim de melhorar algumas propriedades no estado fresco. Cabe destacar também que a utilização dos diferentes tipos de materiais exigem técnicas diferentes de avaliação que permitam analisar a litologia (composição dos grãos), avaliar a morfoscopia (parâmetros texturais, de forma e distribuição granulométrica), mensurar propriedades reológicas, dentre outros.
Para Neville (1975) o estado fresco é uma fase que propicia muitas das utilizações normais dos materiais cimentíceos, como por exemplo, manuseio, aplicação e compactação do material. Nesse sentido, resistência e durabilidade desses materiais são obtidas após um período de plasticidade, durante o qual é muito importante o controle das propriedades reológicas para se atingir o controle de qualidade e determinação das propriedades dos materiais.
Particularmente no caso da argamassa de revestimento o bom entendimento das propriedades reológicas é importante uma vez que as atividades realizadas no processo dependem das características da argamassa no estado fresco, sendo seu conhecimento fundamental na homogeneização dos constituintes da argamassa, características de aplicação da argamassa na superfície do substrato, no momento do espalhamento (força da argamassa sobre o substrato), para adequado sarrafeamento, entre outros. Os diferentes comportamentos da argamassa no estado fresco podem acarretar consequências negativas para as características do produto endurecido, uma vez que reologia está relacionada a propriedades como a viscosidade, e interfere na aplicação e na aderência do revestimento.
A contribuição do presente trabalho está em avaliar o comportamento reológico de argamassas de revestimento no estado fresco, através da correlação de ensaios tecnológicos, reômetria e caracterização de parâmetros litológicos e morfoscópicos, com o intuito de investigar as mudanças de comportamento reológico com a utilização de finos de diferentes procedências.


O trabalho está voltado para utilização de parâmetros capazes de quantificar o comportamento reológico das argamassas de revestimento no estado fresco, que muitas vezes são avaliados de forma indireta e qualitativa, visando atender a uma determinada condição de aplicação ou trabalhabilidade.

A pesquisa pretende produzir argamassas mistas de cimento, cal e areia, utilizadas usualmente na execução dos sistemas de revestimento. Será realizada a avaliação litológica, morfoscópica (parâmetros texturais, de forma e distribuição granulométrica) dos grãos, através da introdução de finos nestas composições para que se possa entender como este tipo de partícula modifica o fluxo do material. Para cada composição será verificado o teor de finos existentes nas areias, em seguida retirados, e depois acrescentados teores pré-determinados de finos para analisarmos, também, a influência dos finos nas propriedades das argamassas.
Para a determinação das propriedades reológicas das argamassas de revestimento está sendo utilizado o Viscosímetro Programável DVIII Ultra, que é capaz de fornecer uma análise mais detalhada da argamassa, uma vez que é possível obter dados de viscosidade e tensão de cisalhamento, parâmetros fundamentais para a caracterização do material.




O presente trabalho está inserido na linha de pesquisa de Sistemas Construtivos e Desempenho de Materiais e Componentes do Programa de Pós-graduação em Estruturas e Construção Civil da Universidade de Brasília, particularmente no tema “Argamassas de revestimento”.

REFERÊNCIAS INICIAIS
ARNOLD, D. C. M. Análise da influência da forma dos grãos nas propriedades das argamassas. Dissertação (Mestrado). Universidade do vale do rio dos sinos - UNISINOS, São Leopoldo, 2011.
BANFILL, P. F. G. Rheological methods for assessing the flow properties of mortar end related materials. Construction and Building Materials, p. 43-50. 1994.
BAUER, E. ; MOTA, N. M. B.; KRAUS, E. ; E PEREIRA, C. H. A. F. Consistência das argamassas de revestimento e sua relação com a demanda de água e as partículas finas. E-Mat – Revista de ciência e Tecnologia de Materiais de Construção Civil, v. 3, n. 2, p. 91-102, Novembro, 2006. 
DE SCHUTTER, G.; e POPPE, A. M. Quantification of the water demand of sand in mortar. Construction and Building Materials. p. 517-521. 2004.
KWAN, A. K. H.; FUNG, W. W. S.;  WONG, H. H. G. Water film thickness, flwability and rheology of cement-sand mortar. Advances in Cement Research, v. 22, n°1, 2010. 
KWAN, A. K. H.; MORA, C. F.; CHAN, H. C. Particle shape analysis of coarse aggregate using digital image processing. Cement and Concrete Research, v. 29, p. 1403-1410, 1999.
MIN, B. H.; ERWIN, L.; JENNINGS, H. M. Rheological behavior of fresh cement past as measured by squeeze flow. Journal of materials science. v. 9, p. 1374-1381, 1994.
SOUZA, J. G. G. de. Contribuição ao Estudo das Propriedades das Argamassas de Revestimento no Estado Fresco. Tese (Doutorado). Universidade de Brasília. Brasília, 2005.
TRISTÃO, F. A. Influência dos parâmetros texturais das areias nas propriedades das argamassas mistas de revestimento. Tese (Doutorado). Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2005.



sexta-feira, 30 de novembro de 2012

ENGEVISTA



A ENGEVISTA é o periódico científico da Escola de Engenharia da UFF - Universidade Federal Fluminense. Publica artigos que tragam inovações teóricas, revisões totais de algum assunto, revisões parciais de abrangência suficiente para serem consideradas úteis, estudos de casos reais ou de interesse didático e estudos sobre ensino de Engenharia.  




ENGEVISTA acaba de publicar seu último número em
http://www.uff.br/engevista/seer/index.php/engevista. Convidamos a navegar
no sumário da revista para acessar os artigos e itens de interesse.

Agradecemos seu interesse em nosso trabalho,
João Carlos C. B. Soares de Mello
Universidade Federal Fluminense
jccbsmello@id.uff.br
João Carlos C. B. Soares de Mello

Editor Engevista
www.uff.br/engevista/seer

ENGEVISTA
Vol. 14, No 3 (2012)
Sumário
http://www.uff.br/engevista/seer/index.php/engevista/issue/view/39

Artigos

QUALIDADE DOS SERVIÇOS EM UMA REDE EDUCACIONAL: RELAÇÃO ENTRE EXPECTATIVA E PERCEPÇÃOPDF
Sandro Ergang, Leoni Pentiado Godoy, Daniel Benitti Lorenzett, Taís Pentiado Godoy, Cláudia Bach Rizzatti, Edio Patric Guarienti, Julio Cezar Mairesse Siluk
GERENCIAMENTO DOS CUSTOS DAS ATIVIDADES AMBIENTAIS: UM ESTUDO DE CASOPDF
Daniel Benitti Lorenzett, Mauricio Neuhaus, Leoni Pentiado Godoy, Taís Pentiado Godoy
PRODUÇÃO MAIS LIMPA APLICADA AO PROCESSO DE FABRICAÇÃO DE PEÇAS EM COMPÓSITOS DE RESINA POLIÉSTER INSATURADO REFORÇADO COM FIBRA DE VIDROPDF
Renato Jean Sevald, Noeli Sellin
IDENTIFICAÇÃO DAS PRÁTICAS DA FILOSOFIA LEAN CONSTRUCTION EM CONSTRUTORAS DE MÉDIO PORTE NA CIDADE DE ITABUNA (BA)PDF
Juliana Silva Rezende, Stella Maris Peluzio Sá Domingues, Aline Patricia Mano
APLICAÇÃO DO PLANEJAMENTO EXPERIMENTAL NO MÉTODO DE ELETRO-COAGULAÇÃO PARA A REMOÇÃO DE MATÉRIA ORGÂNICA DE EFLUENTES FRIGORÍFICOSPDF
Carlos Eduardo Borba, Aline Roberta de Paula, Fernando Rodolfo Espinoza-Quinones, Aparecido Nivaldo Módenes, Paulo Sérgio Teodoro
CLASSIFICAÇÃO DOS LODOS FORMADOS DURANTE O PROCESSO DE COAGULAÇÃO/FLOCULAÇÃO DA ÁGUA COM OS COAGULANTES PAC E MORINGA OLEIFERAPDF
Cynthia Algayer da Silva, Carole Silveira, Fernando Alves da Silva, Marcia Regina Fagundes Klen, Rosângela Bergamasco
OTIMIZAÇÃO DOS PARÂMETROS DE HIDRÓLISE ENZIMÁTICA DO BAGAÇO DE CANA-DE-AÇÚCARPDF
Fabiano Bisinella Scheufele, Alan de Siqueira Butzke, Isabela Furquim Marra, Salah Din Mahmud Hasan, Mônica Lady Fiorese
APROVEITAMENTO DE CONDENSADO E UTILIZAÇÃO DE VAPOR FLASH NO EXPANDERPDF
Eduardo Rasi Almeida Prado, Flavio Luis Lemos, Alessandro Trombeta, Bruno Raphael Ferraz de Almeida
ANÁLISE DA ABORDAGEM SINGLE POINT RANS PARA O ESCOAMENTO DO TIPO JATO LIVRE AXISSIMÉTRICO E INCOMPRESSÍVELPDF
Gisely Luzia Ströher, Joel Fernando Nicoleti, Cláudia Regina de Andrade, Edson Luiz Zaparoli, Gylles Ricardo Ströher
KINEMATICS OF THE PLANAR QUADRILATERAL MECHANISMPDF
Florian Ion Petrescu, Relly Victoria Petrescu


A Engevista é apoiada financeiramente pelo CNPq.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Você conhece a regra dos 5?




VOCÊ CONHECE A REGRA DOS 5? (REGRA DE SITTER)

Muito empregada para associar custos as etapas de intervenção, particularmente manutenção e reparação, essa regra foi difundida inicialmente em 1983 em um Boletim Técnico do CEB (Comite Euro Internacional du Beton). Carmen Andrade, Antonio Nepomuceno, Paulo Helene, dentre outros aplicaram muito bem essa regra ao estudo da corrosão das armaduras. Essa aplicação, todavia pode ser genérica a degradação dos edifícios e seus elementos e subsistemas.

Basicamente a vida útil é dividida em quatro etapas cronológicas:
Fase A – etapa de projeto e construção
Fase B – etapa inicial de uso que já pode dar indícios da degradação
Face C – etapa de uso já com sintomatologia clara de queda de desempenho crítica ensejando reparos para garantir a vida útil
Fase D – etapa em que é forçosa uma intensa reparação para restaurar o desempenho

A vida útil de projeto é considerada to e a vida útil total to + t1.



A regra se baseia numa progressão geométrica de razão 5.  Se gastaria um valor de R$ 1,00 (pode ser em qualquer moeda pois, o que vale, é a comparação) na  Fase A para efetuar um projeto e construir adequadamente o edifício pensando em atingir a vida útil prevista, obviamente com as manutenções programadas sendo executadas.
Caso não se pensasse em projetar e construir para a vida útil, e fôssemos intervir já na Fase B, o custo para se atingir a vida útil já seria de R$ 5,00.
Da mesma forma, se não pensarmos e construirmos penando na vida útil a atingir, se formos intervir somente na Fase C, o custo passa para R$ 25,00.
No mesmo raciocínio, caso a intervenção ocorra somente na fase D, o custo para garantir a vida útil salta para R$ 125,00.

A reflexão é óbvia, e se talvez, se não o é, é ao menos econômica. É no mínimo uma questão de inteligência. A bola da vez nitidamente é projetar, construir e manter para a durabilidade.

Em que fase estamos atuando em nossos edifícios ? Infelizmente vemos na maioria das vezes a intervenção na fase D (se houvesse uma fase E, talvez  fosse essa).




Até breve,
Prof. Elton Bauer (laboratório.unb@gmail.com)

Leia mais:
SITTER, W.R. Costs for service life optimization the “Law of Fives”. Comite Euro International du Beton – CEB. Boletim Técnico. Copenhagen, Denmark, n.152, p.131-134, 1983.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

VIDA ÚTIL DOS EDIFÍCIOS E CONSTRUÇÕES



VIDA ÚTIL DOS EDIFÍCIOS E DAS CONSTRUÇÕES – CONCEITOS (Parte 01)

Ao ministrar  Degradação de Edifícios na abordagem da disciplina de Tópicos Especiais em Construção Civil no PECC/UnB, refleti e atualizei vários conceitos, os quais passo a abordar.

A discussão da vida útil do edifício, suas partes, subsistemas e elementos, tem sido lembrada principalmente pelas discussões da Norma de Desempenho, particularmente  o anexo C da NBR 15575-1.A partir daí se começa a introduzir o tema vida útil.

Primeiramente o termo é “charmoso” e pauta uma infinidade de seminários acadêmicos, artigos, pareceres, relatórios periciais, dentre outros. O mesmo é tão usado pois é fácil de entender e tem uma definição muito simples muito coincidente em várias referências (ASTM, CIB, ABNT, etc.).

A vida útil, ou vida em serviço de um material ou componente de uma edificação, é o período de tempo, depois da instalação em que todas as propriedades são superiores a um valor mínimo aceitável, quando rotineiramente mantidos. Por analogias, podemos facilmente entender a importância da manutenção para se atingir a vida útil prevista (ou de projeto). Ao se pensar, por exemplo, na manutenção de um automóvel, temos várias operações de manutenção (as revisões), onde os lubrificantes são trocados, peças desgastadas são substituídas, tudo com um objetivo único: “manter rodas as propriedades dos veículos superiores a um mínimo aceitável”.



Assim é em nosso cotidiano onde vários exemplos podem ser associados. Lembro aqui principalmente aos síndicos e administradores de imóveis essa importância da manutenção, para manter o desempenho ou propriedades em um valor acima do mínimo aceitável. Para aqueles mais angustiados já apareceu a pergunta na cabeça: para meu prédio, para minha fachada, para meu elevador, qual é esse mínimo aceitável ? CALMA!!! Aos poucos chegaremos lá.

Vamos falar um pouco sobre as ações sobre o edifício. Podemos fazer uma lista imensa das mesmas, por exemplo: peso próprio, carga de serviço, cargas de deslocamento, incidência de chuva, umidade, incidência térmica (solar).Sempre que fazemos esse exercício lembramos das mais frequentes, ou daquelas em que estamos trabalhando no momento. Todavia, temos que fazer uma análise mais ampla para não esquecermos nada.
Pela análise de desempenho, as ações sobre o edifício e suas partes vem do cruzamento das condições de exposição versus as necessidades dos usuários. Assim, tanto o lado funcional do edifício, como também a sua interação com o meio ambiente devem ser analisados, confrontados e estudados de modo a se definir um conjunto de critérios e requisitos que devam ser correspondidos e atendidos para que o edifício e suas partes e elementos:
  • Tenha um desempenho adequado ao proposto
  • Atenda as funções para as quais foi projetado e executado,
  • Alcance a vida útil prevista


Vários organismos já se preocuparam disso ao longo do tempo, e nos últimos anos no Brasil temos a Norma Brasileira já mencionada (NBR 15557) sistematizou e condensou essas exigências do usuário nos seguintes itens:

  • SEGURANÇA
Estrutural
Fogo
Uso e operação
  • HABITABILIDADE
Estanqueidade
Desempenho térmico, acústico, lumínico
Saúde higiene
Funcionalidade,acessibilidade
Conforto tátil e antropodinâmico
  • SUSTENTABILIDADE
Durabilidade
Manutenibilidade
Impacto ambiental

Vejam como é importante pensar no todo. Por exemplo, temos acompanhado frequentemente a avaliação de novos edifícios com problemas acústicos. Se tem uma estrutura arrojada, uso de concreto protendido, materiais nobres (e caros), e o edifício não atende questões mínimas de isolamento acústico. Isso significa que esqueceu-se do atendimento de uma necessidade importante, e por mais que se atendam outras necessidades (também importantes) a falha, a deficiência, é que são lembrados pelo usuário, o que pode inclusive refletir no valor do imóvel.

Voltando à vida útil, a mesma obviamente deve ser particularizada a cada subsistema, elemento ou partes do edifício. Em termos das exigências (ou necessidades) do usuário, a vida útil está focada no último grupo (sustentabilidade), mais especificamente nas exigências durabilidade e manutenção (manutenibilidade).
Condensando várias definições de durabilidade podemos colocar que É a capacidade que um  produto,   subsistema, componente  ou construção possui de  manter  o  seu   desempenho acima de níveis mínimos especificados, de maneira a atender as exigências dos   usuários,   em    cada situação específica. Assim a vida útil é o tempo em que o edifício e seus subsistemas apresentam durabilidade, desde que ocorra a manutenção. Tanto a ausência da manutenção como também erros e falhas podem fazer com que a vida útil seja menor que o previsto, ocorrendo então as manifestações patológicas (ou patologias do edifício).



Continuaremos brevemente nosso bate papo, agora falando dos fatores de degradação (ou deterioração) do edifício.
Até breve,
Prof. Elton Bauer (laboratório.unb@gmail.com)


sábado, 24 de novembro de 2012

OPINIÃO

Ao apresentar palestra no I Fórum Sobre Alvenaria Resistente em Recife, no último dia 22, discorria sobre o tema Vida Útil dos Edifícios e das Construções. Nas perguntas, fui questionado em como a qualidade atual da mão-de-obra afeta a vida útil. Repondi que os erros da mão-de-obra fazem parte dos erros de execução. Esses erros correspondem a não fazer o que foi especificado ou projetado, ou não atender os quesitos da boa técnica (em muitos pontos respaldados em nossas Normas Técnicas). Exemplifiquei uma situação que observo através das prospecções que fazemos no estudos de caso das obras, a qual é a deficiência ou inexistência de cura em nossas concretagens em Brasília. Isso é um erro de execução ? Sim. É um erro da mão-de-obra ? Pode ser, se ela foi especificada e não foi feita ou quem deveria fiscalizar não o fez. O que essa ausência de cura afeta ? Em termos de resistência, talvez a variação seja pequena, mas em termos de durabilidade o efeito pode ser enorme. Pela ausência de cura, surgem fissurações (pequenas talvez para afetar a resistência), mas significativas por aumentar a rede de espaços que permite o ingresso de água, gás carbônico, deletérios ao concreto. Possivelmente as características iniciais(resistências, flechas, etc) possam não identificar deficiências, mas a médio prazo (15 anos) os sintomas de degradação se tornam críticos gerando inclusive patologias importantes. Então, gastou-se com material, gastou-se com mão-de-obra, e por uma deficiência técnica de quem executou, reduz-se a vida útil.
Vai a pergunta: "quem paga por isso"?
Repondendo a questão inicial, os erros de execução afetam a qualidade inicial (na entrega da obra), e dependendo do erro podem fazer com que o desempenho esperado seja menor que o previsto e definido em projeto. Consequentemente a queda de desempenho pode ocorrer num período de tempo menor, o que leva a uma possível e provável redução da vida útil.

Prof. Elton Bauer
laboratório.unb@gmail.com

Curva de degradação apresentada na NBR 15575-1 (Norma de Desempenho)