sábado, 2 de maio de 2015

Artigos da UnB - PECC/CONSTRUÇÃO CIVIL premiados no XI SBTA.

É com muita satisfação que participamos a todos que nosso grupo de trabalho, ligado ao programa de Pós-Graduaçao em Estruturas e Construção Civil - Ênfase Construção Civil, teve vários trabalhos premiados no XI SBTA que ocorreu de 28 a 30/04/2014. Foram eles:

TERCEIRO LUGAR - APRESENTAÇÃO ORAL
Bauer, E.; Pavón, E.;Hildenberg, A. "Erros na utilização de parâmetros termográficos da argamassa e da cerâmica na detecção de anomalias em revestimentos "

PRIMEIRO LUGAR - APRESENTAÇÃO POSTER
Bauer, E., Silva, M.N.;Zanoni, V. "Mensuração da degradação e vida útil em fachadas"

TERCEIRO LUGAR - APRESENTAÇÃO POSTER
Bauer, E.;Salomão, M.C.;Rogrigues Filho, H. Avaliação das argamassas industrializadas quanto à capilaridade e retração de acordo com os critérios da NBR 13281 e do método MERUC/CSTB

Parabenizamos também o aluno de doutorado do PECC Daniel Andrade e os alunos de mestrado Lucas Caldas e Matheus Nascimento que participaram tanto no desenvolvimento de artigos como também na apresentação.


Maria Claudia recebe sua premiação da Profa Angela Masuero

Prof. Elton Bauer recebe sua premiação da Profa Angela e do Prof, Vasco Freitas


XI SIMPÓSIO BRASILEIRO DE TECNOLOGIA DE ARGAMASSAS - SBTA 2015

Ocorreu nessa última semana em Porto Alegre, sul do Brasil o XI SBTA. Sob coordenação da Profa Angela Masuero (UFRGS) esse evento se desenvolveu nos dias 28 a 30 de abril, com enorme sucesso. Foram mais de 300 participantes do Brasil e exterior. A organização do evento, bem como seu transcorrer foram de uma primazia fantástica. A equipe, toda de parabéns, não poupou esforços em conduzir e adequar todas as apresentações e participações. Nossa homenagem aos "guris e gurias", como assim afetuosamente a Profa Angela os chamou.
Também foi fundamental a coordenação dos trabalhos do comitê científico, a cargo da Profa Helena Carasek (UFG), responsável pelo elevado nível das contribuições apresentadas.
Dos participantes estrangeiros mencionamos: Profa Ana Velosa (Universidade de Aveiro - Portugal); Profa Isabel Torres (Universidade de Coimbra - Portugal), Prof. Hans Joaquim F. Riechers (Alemanha), Eng. Carlos Duarte (APFAC - Portugal) e Prof. Vasco Freitas (FEUP/Universidade do Porto - Portugal).

A Universidade de Brasília, particularmente o PECC-Construção Civil, participou com 6 artigos técnicos, os quais são mencionados a seguir.
Parabéns a todos.

Prof. Elton Bauer (materials and materiais)


Prof. Elton Bauer a apresentar um de seus artigos












segunda-feira, 30 de março de 2015

5 PATORREB E 1 ISBP

Participamos nessa semana passada  da 5a edição do PATORREB  e da 1a do ISBP. Ambos os eventos realizados no Porto - Portugal, na FEUP, sob coordenação do Prof. Vasco Freitas.
Abaixo colocamos as contribuições de nossa equipe.
Atenciosamente;
Prof. Elton Bauer (materials and materiais).






sábado, 7 de fevereiro de 2015

CONGRESSO INTERNACIONAL DE PATOLOGIA EM SETEMBRO

Caros amigos;
Alerto para a realização do CONPAT 2015 que ocorrerá no início de setembro de 2015. Como os prazos finais para envio dos artigos se aproximam cuidem para atender as datas. O evento sob a direção do prof. Fernando Branco conta também com a coordenação científica do prof. Jorge de Brito, ambos do IST-Lisboa.
Visitem o web site e façam sua programação para visitar Lisboa em setembro.
Um forte abraço,
E. Bauer (materials and materiais).


domingo, 1 de fevereiro de 2015

EVENTOS INTERNACIONAIS EM PATOLOGIA AGORA EM MARÇO/2015

Dois eventos a ocorrer na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto - Portugal, agora em março de 2015. Os 2 eventos ocorrem de 24 a 28 de março na FEUP, sendo uma excelente oportunidade de intercâmbio de experiências.

Até lá;

Prof. Elton Bauer





quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

DISCUSSÃO: DANOS CAUSADOS NA REABILITAÇÃO DE FACHADAS





Caros colegas;

Em Brasília, no momento (final de janeiro de 2015), ao trafegar pelas ruas do plano piloto e também pelas ruas das cidades satélites vemos várias placas indicando obras de reabilitação nos edifícios. A mais comum é a reabilitação de fachadas, onde emprega-se geralmente um termo "retrofit". Não sou expert na língua inglesa, mas entendo que esse termo possa ser usado como readequação, e talvez de longe possa ser associado com a reabilitação (tenho minhas dúvidas).

Fato importante é que Brasília é uma jovem senhora, e seus edifícios mostram que alguns de seus elementos chegam ao final de sua vida útil. Até aí, nada de novo. Temos observado todavia, uma vida útil muito curta para as fachadas. A Norma de Desempenho vigente coloca uma vida útil mínima de projeto de 20 anos. Os estudos acompanhados pelo LEM, mostram que existem edifícios antigos em que as fachadas sobejamente mantém seu desempenho. Com mais frequência edifícios novos tem mostrado não atingir nem de longe os 20 anos previstos. O pior, é que o usuário leigo (não técnico), passa a achar que isso está certo. Temos casos em que tem se feito um processo de reabilitação intensa (remoção dos revestimentos) das fachadas a cada 5 anos, e se acha que está tudo em ordem.

Meu assunto hoje não é esse, mas quero somente mostrar umas imagens que fiz aqui em Brasília. São fachadas em processo de reabilitação, em que a remoção do revestimento anterior (reboco, emboço, cerâmico) tem sido catastrófica, com danos graves à alvenaria.

As figuras 1 e 2 mostram como se tem feito a remoção do revestimento. Vejam os danos na alvenaria causados pela remoção dos elementos do revestimento.

Figura 1 - Aspecto após a remoção da camada de emboço


Figura 2 - Danos a alvenaria na remoção do emboço

Essa situação é generalizada e parece que a destruição da alvenaria é uma das etapas do processo de reabilitação das fachadas. Observem o grau de destruição da alvenaria que a figura 3 mostra. Literalmente o bloco cerâmico perde sua parede lateral, e em alguns pontos é reduzido pela metade em sua espessura.


Figura 3 - Danos graves na remoção do emboço.

Poderia se falar que a culpa é dos blocos cerâmicos que são muito frágeis e não permitem que se consiga remover a argamassa de emboço. 

Me permitam, com liberdade, fazer uma simples analogia: Se um dentista (ondontólogo) destruir seu dente em um tratamento e colocasse a culpa no seu dente, qual seria sua reação ?? Da resposta, é óbvio que a técnica não é a adequada.

Mas vamos lá, vamos ver então uma alvenaria em bloco de concreto, como mostra a figura 4. Também se destrói igualmente a alvenaria.

Figura 4 - Alvenaria de bloco de concreto danificada na remoção da argamassa de emboço

Passando para outro assunto. Como se faz a recomposição da fachada. usualmente se preenchem os furos e rasgos com a mesma argamassa de revestimento. Imaginem a recomposição da parede da figura 3. Metade da espessura do bloco seria preenchida com argamassa, acrescentando-se ainda de 2 a 3 cm referentes ao emboço. 

Daí questiona-se o que se está fazendo. Estamos num processo de reabilitação ou retrofit como insistentemente falam alguns colegas? Acho que o "remendo sai pior que o soneto". De forma breve teremos:
  • material de grande espessura e rigidez diferenciada da alvenaria inserido na mesma - movimentações diferenciais ocorrendo de outra forma do previsto inicialmente para a alvenaria;
  • grandes espessuras - retrações e fissuras,  possíveis infiltrações, eflorescências, etc.
  • nova interface argamassa bloco cerâmico - solicitações de peso próprio e umidade em outro plano na alvenaria;
Em nenhum caso (dos observados aqui) tem se pensado e inserir uma malha de aço galvanizada (ou outro sistema estruturante) de forma a estruturar a alvenaria, dando lhe um aporte mecânico capaz de realmente ser reabilitada. Isso não justifica concordar em destruir a alvenaria, mas é uma preocupação em resgatar o desempenho mecânico. Afinal, estamos fazendo uma reabilitação.

Também acho necessário repensar a necessidade da remoção das camadas. Acho que temos hoje tecnologia para buscar recuperar o desempenho perdido em função do uso de outras formas. Temos conhecimento técnico acadêmico e possibilidade de propor materiais mais adequados e soluções mais inteligentes.
Da forma que está, os famosos retrofits tem levado a se ter condições piores daquilo que se tinha originalmente, antes da intervenção. Qual a consequência ? Em 5 ou 6 anos a fachada está novamente toda degradada, com um novo pacote de patologias e anomalias. Isso é uma vergonha.

Um abraço a todos;
Prof. Elton Bauer 



sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

DEFESA DE DOUTORADO - AVALIAÇÃO QUANTITATIVA DA DEGRADAÇÃO E VIDA ÚTIL DE REVESTIMENTOS DE FACHADA

Convidamos par a defesa de tese de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Estruturas e Construção Civil da Universidade de Brasília a ocorrer hoje 12/12/2014 no Laboratório de Ensaio de Materiais.
Muito Obrigado
Prof. E. Bauer


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

PRÊMIO CBIC 2014

Caros Colegas,
É com muita alegria que informamos a todos, que na data de ontem 10/12/2014 fomos premiados em 3o lugar no PRÊMIO CBIC DE INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE-2014. Esse prêmio é conferido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção do Brasil  sendo essa a 20a edição.
A modalidade em que fomos premiados foi a de PESQUISA, com o projeto "Perfis de Desempenho e Qualidade para as Argamassas de Revestimento Estabilizadas".
Foram aproximadamente 30 projetos participantes, de todo o Brasil.
Agradeço principalmente a equipe técnica do Laboratório de Ensaio de Materiais -ENC, e me congratulo com todos os colegas.
Muito obrigado.
Prof. Elton Bauer



Prof. Bauer ao receber o prêmio



Prof. Bauer com sua equipe no Laboratório de Ensaio de Materiais - Universidade de Brasília

Prof. Bauer e esposa Célia, ao final do evento de premiação




quarta-feira, 26 de novembro de 2014

capilaridade x termografia

A pura capilaridade monitorada pela temperatura da superfície obtida pela captura de uma imagem termográfica. Os 3 corpos-de-prova (provetes) são de mesmo material (concreto celular) mas têm alturas diferentes. Observem as alturas das franjas de umidade alcançadas.

E. Bauer (mat and mat)


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

AT - ARTIGO TÉCNICO 47 - QUANTIFICAÇÃO DA DEGRADAÇÃO E DA VIDA ÚTIL: RADIAÇÃO SOLAR E TEMPERATURA

Visite nosso novo blog: www.manpatlem.blogspot.com.br

Um dos desafios na avaliação dos edifícios e construções quando abordamos a durabilidade e a degradação atém-se  à mensuração da degradação. Várias formas de avaliação são propostas na literatura internacional. Uma importante referência é a norma ISO 15686 em suas diversas partes, a qual contribui propondo procedimentos e referenciais para abordagem do tema. Também a comissão W 080 do CIB tem grandes contribuições. É importante mencionar a Publicação CIB 294 de 2004 (PERFORMANCE BASED METHODS FOR SERVICE LIFE PREDICITION) com várias contribuições importantes no tema.
O que apresentamos aqui é um estudo onde aplicamos a metodologia desenvolvida por GASPAR & BRITO no Instituto Superior Técnico (Lisboa - Portugal), a qual permite quantificar a degradação e sua evolução como tempo. Foram feitas adaptações aos sistemas construtivos brasileiros (fachadas) bem como nos índices específicos de cada região. Como aspecto original buscou-se associar a evolução da degradação com as orientações solares e com a radiação incidente sobre cada fachada. Esse trabalho é parte dos estudos preliminares do doutoramento da Profa Maria de Nazaré Silva cuja defesa ocorrerá no dia 12 de dezembro próximo na Universidade de Brasília.

Saudações a todos;

Prof Elton Bauer (materials and materiais)
adaptação e formatação


DEGRADAÇÃO EM SISTEMAS DE REVESTIMENTO CERÂMICO DE FACHADAS - AGENTES DE DEGRADAÇÃO 

Elton Bauer, Eliane Kraus de Castro e Maria de Nazaré B. Silva


 Resumo. 
O presente estudo aborda a identificação de manifestações patológicas e a influência da radiação solar no desempenho dos revestimentos cerâmicos das fachadas de edifícios de Brasília. A metodologia compreende uma vistoria preliminar, inspeção detalhada dos elementos da fachada,além do mapeamento de danos. As fachadas dos edifícios de Brasília têm apresentado uma freqüência cada vez maior de manifestações patológicas de descolamentos e fissuração observados em todas as camadas do sistema de revestimento (placas cerâmicas, rejunte, cimento-cola, argamassa de emboço e substrato). Essas patologias reduzem a durabilidade e aumentam os intervalos de manutenção das fachadas. Neste sentido, a importância deste estudo reside na apresentação de uma metodologia desenvolvida no Laboratório de Ensaios de Materiais – LEM para identificação e quantificação de danos com enfoque na influência da orientação solar nos processos de degradação e redução da vida útil das fachadas dos edifícios. Os resultados observados permitiram identificar como principais manifestações patológicas os descolamentos de revestimento cerâmico e as fissurações, ambos, diretamente influenciados pela orientação solar, bem como pela movimentação e degradação das camadas dos sistema de revestimento das fachadas. Os resultados mostraram, ainda, que as maiores incidências de patologias ocorrem nas paredes contínuas das fachadas analisadas. 

 INTRODUÇÃO
Brasília, capital do Brasil, é uma cidade planejada e, com apenas 53 anos, é considerada muito jovem. Suas fachadas apresentam uma tipologia bastante simples, empregando normalmente revestimentos com acabamento em argamassa ou placas cerâmicas e, em muitos casos, as fachadas apresentam o uso misto dos dois sistemas.
Os sistemas de revestimentos cerâmicos são elementos verticais que compõem, revestem e protegem as fachadas e ainda os elementos estruturais das edificações, ficando, dessa maneira, muito expostos à influência combinada de chuvas, ventos, insolações, agentes biológicos e poluentes atmosféricos [1][2][3]. Esse nível de exposição gera os mais diversos tipos de solicitações e mecanismos de degradação, conduzindo a um processo de degradação com perda de qualidade e desempenho mais evidente que em outros elementos da edificação, implicando ainda em altos custos de manutenção, evolução da degradação visual para problemas físicos reais da fachada e perda de durabilidade [4][5].
As manifestações patológicas que ocorrem nas fachadas são influenciadas e identificadas tanto pelo grau de incidência, como também pela gravidade dos danos. As fachadas dos edifícios de Brasília têm apresentado, com maior intensidade, falhas de descolamento de placas cerâmicas e fissurações e, em menor grau de ocorrência as falhas de rejuntes, eflorescências e falhas de vedação [6][7][8]. O clima de Brasília, com temperaturas médias anuais consideradas elevadas, exerce grande influência nos processos de degradação. As variações térmicas geram tensões que atuam diretamente sobre os acabamentos, provocando uma dilatação térmica diferenciada no sistema de revestimento e em cada uma de suas partes componentes (placas cerâmicas, rejunte, argamassa colante, emboço e substrato) [7][9][10][11].
Para relacionar a degradação das fachadas com os aspectos relativos ao clima, além de verificar sua influência sobre os processos de degradação, são utilizados dados da radiação solar incidente nas fachadas de Brasília em função das orientações norte, leste, sul e oeste [12][13]. As radiações solares, consideradas sob uma condição especial, de máxima radiação sobre as fachadas, ou seja, sem nebulosidade, foram obtidas em dias específicos para todos os meses do ano a partir da projeção esferográfica dos percursos aparentes do sol representado pela carta solar de Brasília. Neste sentido, os valores da radiação solar não representam valores mensais ou anuais, representam apenas uma característica particular para o caso das fachadas de Brasília e indicam somente uma tendência das intensidades das radiações, de maneira a nortear as análises das ocorrências e níveis de degradação nas fachadas.
Este estudo consiste na análise das degradações em fachadas provocadas por manifestações patológicas de descolamentos de placas cerâmicas, falhas de rejuntes, fissuras, eflorescências e falhas de vedações em oito edifícios de Brasília. Os edifícios selecionados possuem idades que variam de 5 a 48 anos, com área total de 21158,00 m². O levantamento dos danos sobre as fachadas são efetuados conforme metodologia de inspeção desenvolvida no Laboratório de Ensaio de Materiais da Universidade de Brasília (LEM-UnB). As análises das degradações são efetuadas por intermédio de uma abordagem metodológica que visa avaliar e quantificar detalhadamente os danos nas fachadas através de sua extensão e nível geral de degradação (NGD) desenvolvida anteriormente em Portugal [3][14]. 

METODOLOGIA DE ESTUDO DAS DEGRADAÇÕES EM FACHADAS

Levantamento e classificação da incidência das degradações em fachadas
As inspeções foram realizadas em fachadas revestidas com placas cerâmicas. Os danos visíveis (descolamentos, falhas de rejuntes, fissuras, eflorescências e falhas de vedações) foram mapeados (figura 1-a) a partir de inspeções realizadas durante as vistorias in loco pela equipe do Laboratório de Ensaios de Materiais (LEM) da Universidade de Brasília [6][7][8]. A deterioração das fachadas é identificada por intermédio da extensão e gravidade da ocorrência dos danos, dentre os quais se destacam: descolamento de placas cerâmicas, falha de rejunte, fissuras, eflorescências e falha de vedação [7][15][16].
Complementar à metodologia já desenvolvida pelo LEM-UnB, apresenta-se uma inovação no processo de contagem das manifestações patológicas através de uma malha sobreposta ao mapeamento (Figura 1-b).


 Cada malha equivale a uma região de 0,25 m² de dano, ou seja, permite obter não somente a área de dano visível, mas também uma possível extensão do dano não visível, visto que a existência de determinado dano implica, em muitos casos, em uma região de propagação maior que a região visível, ou seja, em torno da periferia deste dano.

Cálculo da degradação das fachadas
A rotina de cálculo empregada consiste na avaliação do nível geral de degradação (NGD) baseado em sistemas de revestimento de fachadas com acabamento em argamassa de reboco ou em placas cerâmicas [2][3][14][17]. Ressalta-se que esta rotina foi adaptada para fachadas com revestimento em placas cerâmicas, de maneira a proporcionar a continuidade dos estudos para a quantificação da degradação em fachadas de Brasília [10]. Busca-se verificar a sensibilidade desta rotina na identificação e quantificação dos diferentes níveis de degradação em função da idade e da incidência da radiação solar sobre as fachadas dos edifícios.
A manutenção e idade são consideradas critérios indispensáveis para determinar o padrão de variação do NGD em função do tempo. As falhas são analisadas considerando o fator kc,n, de nível de risco e custo da reparação dos defeitos observados nas fachadas de Brasília e sem a consideração desse fator. Desta forma são estabelecidos 2 modelos de análises do NGD:
•      Modelo 1 (M-1) - considera uma ponderação (kc,n) de custo de reparos de fachadas de Brasília (1);
•      Modelo 2 (M-2) - considera a ponderação de custo kc,n = 1.
O NGD (1) estabelece uma relação direta entre a área da fachada afetada pelos defeitos com o respectivo nível de defeito em função da área total das fachadas analisadas.

O NGD é um parâmetro que mede de maneira simples o nível de danos em relação a um referencial máximo de dano expresso pelo termo (Ar . k). Esse parâmetro e suas variáveis são adaptados, neste estudo, para serem utilizados nas fachadas com revestimento em placas cerâmicas. Para tanto, as variáveis An, kn, k, kc,n e Ar são adaptadas para reproduzir os danos (descolamentos de cerâmicas, falhas de rejuntes, fissuras, eflorescências e falhas de vedações) em fachadas com revestimentos em placas cerâmicas. A variável An corresponde à área afetada pelos danos (descolamentos de cerâmicas, falhas de rejuntes, fissuras, eflorescências e falhas de vedações) e identificada no mapeamento. O nível de dano, representado por kn varia de 0,00 (sem danos) à 4,00 (estado grave de degradação).
A variável kc,n (Tabela 1) varia em função da localidade das amostras analisadas e representa a ponderação da importância relativa atribuída ao custo de reparação de cada tipo de dano n (onde n1 = descolamento de cerâmica, n2 = falha de rejunte, n3 = fissuras, n4 = eflorescências, n5 = falha de vedação).

  RESULTADOS
A partir do levantamento das degradações em amostras de oito edifícios, subdivididos em setenta e uma amostras de fachadas ou prumadas obteve-se, preliminarmente, um nível de degradação para cada caso particular de dano estudado (descolamento de cerâmica, falha de rejunte, fissuras, eflorescência e falha de vedação) em função da idade e das orientações solares (norte, leste, sul e oeste) das fachadas. As análises do NGD são efetuadas para os modelos M-1 e M-2 que variam em função da consideração ou não de fator que relaciona o custo da reparação.
As fachadas utilizadas neste estudo de caso apresentam as seguintes características: edifícios residenciais de 6 andares, área total de fachadas de 21158,00 m², estrutura em concreto armado, vedação em bloco cerâmico e revestimentos em placas cerâmicas.
A figura 2 apresenta o gráfico com as incidências (em porcentagem em relação ao total de anomalias observadas) de todas as falhas (descolamentos de cerâmicas, falhas de rejuntes, fissuras, eflorescências e falhas de vedações) observadas nas fachadas dos edifícios. Deve se mencionar que essa avaliação percentual não permite quantificar a degradação, sendo somente um indicativo da distribuição das anomalias. Dois edifícios com a mesma distribuição de anomalias podem apresentar graus de degradação muito diferentes.

Observa-se que o percentual de falhas de descolamento de placas cerâmicas apresentam os maiores resultados (71%) em relação às demais ocorrências (falha de rejunte, fissuração, eflorescência, falha de vedação), corroborando estudos anteriores realizados em fachadas de Brasília [6][7][8]. Tendo em vista que falhas de descolamento de placas cerâmicas de fachadas normalmente estão associadas às variações térmicas, o elevado percentual obtido (figura 3) ressalta a incidência de radiação solar como uma das principais causas dessa falha.
Os resultados do nível de degradação (NGD) caracterizam o comportamento das fachadas tanto em relação à idade (figura 4), bem como em relação às orientações das fachadas (figura 5). O NGD apresentou uma tendência crescente para os dois modelos M-1 e M-2.
A figura 4 mostra que fachadas com maiores idades apresentam os maiores níveis de degradação. Isto se deve ao processo de exposição às intempéries, movimentação entre as camadas de revestimento cerâmico e, consequente envelhecimento natural das fachadas. Observa-se ainda que os valores de M-2, com ponderação dos danos, apresentam níveis também mais elevados de degradação em relação ao modelo M-1, que não considera o custo da reparação no cálculo do NGD. Este comportamento mostra o efeito dos fatores de ponderação de cada tipo de manifestação patológica, ou seja, quanto maior o valor atribuído ao custo de reparação, mais elevado será o valor do NGD.
As fachadas analisadas em função da incidência da radiação solar (figura 4) também evidenciam o aumento do NGD em função da maior exposição à radiação solar para os dois modelos analisados (M-1 e M-2).
A metodologia utilizada para a determinação do NGD permitiu identificar com precisão os diferentes níveis de degradação em função da idade (figura 3) e da incidência da radiação solar (figura 4) nas fachadas. Houve um aumento considerável dos valores do NGD para as fachadas com idades acima de 30 anos (figura 3). O mesmo comportamento foi observado para as fachadas expostas à radiação solar (figura 4). Quanto mais elevado o nível de exposição das fachadas à radiação solar, maior o seu estágio de degradação.
Constata-se forte relação entre os níveis de degradação e a incidência da radiação solar em função dos elevados percentuais de falhas de descolamento cerâmico observado nas fachadas, bem como às fissuras e falhas de rejunte, também associadas aos efeitos térmicos oriundos da incidência da radiação solar.

CONCLUSÕES
Deve-se ressaltar a particularidade do sistema construtivo residencial de Brasília. A partir do levantamento dos cinco tipos de degradações nas fachadas (descolamento de cerâmica, falha de rejunte, fissuras, eflorescência e falha de vedação) em função da idade das fachadas e da orientação solar, pode-se concluir que:
-      A rotina de cálculo analisada representa de forma eficiente e mostra um avanço na avaliação da degradação em função da idade e orientação solar. As manifestações patológicas com maior índice de ocorrência nas fachadas foram o descolamento de cerâmica e fissuração.
-      As manifestações patológicas investigadas apresentaram forte relação com a incidência solar.
-      O NGD apresentou uma degradação evolutiva dos edifícios com idades superiores a 30 anos, ou seja, apresentou consistência no modelo de cálculo da degradação e vida útil.
-      Os resultados do NGD, de maneira geral comprovaram a eficiência de sua aplicabilidade e precisão de análise ponderada através do nível de danos e custo de reparação na quantificação do nível geral de degradação das fachadas.

REFERÊNCIAS
[1]Gaspar, P.L., Flores-Colen, I. e Brito, J., ‘Técnicas de diagnóstico e classificação de fissuração em fachadas rebocadas’, PATORREB, 2º Encontro sobre Patologia e Reabilitação de Edifícios, FEUP, UPC, Portugal, 2006.
[2]Bordalo, R., Brito, J., Gaspar, P.L. e Silva, A., ‘Abordagem a um modelo de previsão da vida útil de revestimentos cerâmicos aderentes’, ‘Service life prediction modelling of adhesive ceramic tiling systems’, Teoria e Prática na Engenharia Civil, Portugal, 2010, n.16, pp.55-69.
[3]Sousa, R.D.B., ‘Previsão da vida útil dos revestimentos cerámicos aderentes em fachadas’, Dissertação de Mestrado, Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa, Portugal, 2008.
[4]Flores-Colen, I., ‘Metodologia de avaliação do desempenho em serviço de fachadas rebocadas na óptica da manutenção predictiva’, Tese de Doutoramento em Engenharia Civil, Instituto Superior Técnico, Portugal, 2009, Vol. 1, 487p.
[5]Gaspar, P. e Brito, J., ‘Quantifying environmental effects on cement-rendered facades: A comparison between different degradation indicators’, in ‘Journal of Building and Environment’, Novembro, 2008, Vol. 43(11), pp. 1818-1828.
[6]Bauer, E., Castro, E.K., Antunes, G. R. e Leal, F. E., ‘Identification and quantification of pathologies in facades of new buildings in Brasília’, in ‘XII DBMC International Conference on Durability of Building Materials and Components’, Porto, Portugal, 2011.
[7]Bauer, E., Kraus, E. e Antunes, G.R., ‘Patologias mais correntes nas fachadas de edifícios em Brasília’, in ‘3º. Congresso Português de Argamassas de Construção’, APFAC, Lisboa, Portugal, 2010.
[8]Bauer, E., Castro, E.K. e Antunes, G.R., ‘Processo de identificação das manifestações patológicas em fachadas com revestimento cerâmico’, in ‘IX Simpósio Brasileiro de Tecnologia de Argamassas’, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, 2011.
[9]Melo Júnior, C.M. e Carasek, H., ‘Comportamento diferenciado na deterioração de revestimentos de argamass: influência da chuva dirigida’, in ‘IX Simpósio Brasileiro de Tecnologia de Argamassas’, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, 2011.
[10]Bauer, E., Kraus, E. e Silva, M.N.B. ‘Patologia e deterioração das fachadas de edifícios em brasília – estudo da quantificação de danos’, in ‘PATORREB’, ‘4º Congresso de patología y rehabilitación de edificios’, Santiago de Compostela, Espanha, 2012.
[11]Saraiva, A. G., ‘Contribuição ao estudo de tensões de natureza térmica em sistemas de revestimento cerâmico de fachada’, Dissertação de Mestrado, Departamento de Engenharia Civil, Universidade de Brasília, Brasília, Brasil, 1998.
[12]Bauer, E.; Kraus E.; Silva, M.N.B., ‘Estudo da quantificação da degradação das fachadas em edifícios jovens’, in ‘4º Congresso de Construção’, Coimbra, Portugal, 2012.
[13]Bauer, E.; Kraus E.; Silva, M.N.B., ‘Vida útil dos revestimentos de fachada - avaliação das manifestações patológicas nas fachadas de edifícios de Brasília’, in ‘X Simpósio Brasileiro de Tecnologia das Argamassas – X SBTA 2013’, Fortaleza, Brasil, 2013.
[14]Gaspar, P.L. e Brito, J., ‘The perception of damage on rendered façades’, in ‘XII DBMC International Conference on Durability of Building Materials and Components’, Porto, Portugal, 2011.
[15]Gaspar, P. e Brito, J., ‘Mapping defect sensitivity in external mortar renders’, Journal of Construction and Building Materials, 19(8), 2005, pp. 571-578.
[16]Bauer, E., Mota, N.M.B. e Castro, E.K. ‘Relatório técnico n.º 06090072-c’, Laboratório de Ensaios de Materiais, Universidade de Brasília, Brasil, 2006.
[17]Gaspar, P.L. e Brito, J., ‘Limit states and service life of cement renders on facades’, Journal of Materials in Civil Engineering, 23(10), 2011, 1396-1404.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014



Um dos principais aspectos da avaliação de patologias e estudos de degradação é o domínio de técnicas experimentais, quer seja em sondagens ou ensaios in loco, ou avaliações de laboratório. Somente com alto conhecimento e expertise é que se consegue reunir o conjunto necessário de informações que permitem conhecer os mecanismos principais dos fenômenos de degradação e do desenvolvimento de patologias. 
Infelizmente vários profissionais abdicam dessas informações colocando em suas avaliações e perícias conclusões superficiais, obtidas muitas vezes somente com informações fotográficas e de muito baixo poder explicativo.
O LEM, dentro de seu escopo possui um enorme portfólio de atendimentos na Patologia de Edifícios e Obras, sempre empregando a tecnologia mais avançada para o diagnóstico dos problemas dos edifícios.
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Universidade de Brasília
(61) 3107-1005
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INVESTIGAÇÃO DE INFILTRAÇÕES EM LAJE COM A TERMOGRAFIA DE INFRA-VERMELHO

Veja alguns exemplos de termogramas usados na identificação de anomalias de infiltração em laje de concreto.
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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

ARTIGO TÉCNICO AT 29/2014 - PARÂMETROS NORMATIVOS DAS ARGAMASSAS - PARTE 1

Com a premência de evolução normativa das argamassas e sistemas de revestimento apresentamos um estudo desenvolvido pela equipe do Laboratório de Ensaio de Materiais da UnB e do PECC/UnB, revisando várias normas de origem americanas (sul, central e norte), bem como algumas normas européias. O presente estudo foi desenvolvido pelo Prof. Elier Pavón (Professor do Instituo Superior Politécnico José Antonio Echeverría - Cuba) o qual desenvolve seu doutorado no PECC-UnB. Elier é  membro da comissão do materials and materiais.
A idéia com esse trabalho é iniciar um levantamento, pelo que sempre espero a contribuição de todos os amigos.

Boa Leitura,
Prof. E. Bauer (materials and materiais)



PARÂMETROS NORMATIVOS DAS ARGAMASSAS - PARTE 1

Elier Pavon; Elton Bauer.
LEM/PECC-Universidade de Brasília


Adaptação: Prof. E. Bauer (mat and mat)

INTRODUÇÃO/JUSTIFICATIVA

Neste estudo buscou-se uma analise das normas internacionais em argamassa focando-se nos requisitos exigíveis conforme cada texto normativo.  Tem-se como principal objetivo mostrar os parâmetros estabelecidos nas normativas, relativos a dosagem das argamassas, os limites de aceitação das propriedades especificadas e as recomendações para o emprego das mesmas, em função da sua classificação. 

São mostradas as principais normas internacionais como é o caso da ASTM e da EN, além de algumas normativas da região (America do Sul e Central). Foi possível concluir que as principais diferenças encontram-se nos aspectos relativos ao tipo e quantidade de propriedades avaliadas nas normativas para definir as aplicações das mesmas.  

As normas que estão sendo estudadas, são as de requisitos de alvenaria, que geralmente cobrem as argamassas de assentamento e de revestimento. A maioria das normas refere-se só, as argamassas de alvenaria, separando-as das argamassas com função estrutural e das argamassas colantes. 
Na tabela 1 mostra-se as referencias normativas atuais e as normativas que foram analisadas em o estudo. Note-se que estão incluídas normas da Europa, America Latina e Estados Unidos.


Tabela 1. Normas de especificação de argamassas.



DESENVOLVIMENTO


Norma ASTM (Estados Unidos de America)

A norma de especificação de EU é a ASTM C270: 12a. Esta especificação cobre as argamassas para uso na construção de unidades estruturais de alvenaria, não- reforçadas e reforçadas. Quatro tipos de argamassa são cobertas em cada uma das duas alternativas: (1) as especificações de mistura e (2) as especificações de propriedades. É importante enfatizar que essa norma especifica tanto argamassas de assentamento de alvenaria, como também argamassas de revestimento.
Em relação às especificações da mistura, ela estabelece uma tabela com as proporções para três tipos de cimento, expressada como uma proporção em volume (Tabela 2). 

Tabela 2 - Dosagem especificada das argamassas (volume)

Observe-se que são propostas de dosagem para três tipos de cimento, onde limita-se a relação cal/cimento para esse tipo de argamassa (cement-lime) y relação agregado/cimento, só para o caso de  argamassa feitas com cimento para alvenarias.
Como tem especificado traços para argamassas, também especifica-se a distribuição granulometria dos agregados. A tabela 3 mostra os limites.

Tabela 3 - Especificação granulométrica das areias para argamassas

Além dos limites da distribuição granulométrica da tabela 3, o agregado não pode ter mais de 50% de material retido em duas peneiras consecutivas, nem mais de 25% retido nas peneiras No. 50 y No. 100. 

A porcentagem permitido de material pulverulento (passante na peneira 75 um na areia triturada deverá ser menor ou igual a 10%; ou menor que 15 % se estiver livre de argila.

Os requisitos estabelecidos em estado fresco são os que seguem:

Trabalhabilidade

Embora em grande parte determinada pela granulometria do agregado, pela dosagem, e pelo conteúdo do ar, o ajuste final da trabalhabilidade depende da quantidade de água. A capacidade de uma argamassa de alvenaria para apresentar trabalhabilidade satisfatória sob a influência da sucção de água do bloco de alvenaria, e pela evaporação de água depende da capacidade de retenção de água e características da argamassa nos momentos iniciais pós-aplicação. Adequada trabalhabilidade é essencial para a máxima aderência com as unidades de alvenaria.

Os critérios definidos na norma são:

  • Consistência (Espalhamento na mesa): Incremento entre 105 y 115%, inicial entre 130 y 150%. A mesa de queda é levantada e cai duma altura pré-determinada (12,7 mm), 25 vezes em 15 s, girando o punho com uma velocidade uniforme. Deve se lembrar que a mesa de espalhamento é diferente da mesa especificada pelas Normas Brasileiras.
  • Penetração de cone inicial entre 50 y 60 mm. A própria ASTM C270 especifica esse ensaio. O mesmo tem sido largamente usado como parâmetro de consistência nas pesquisas do LEM/UnB.

Retenção de água, teor de ar e resistência à compressão

Capacidade de retenção de água é aumentada através do aumento da cal (o finos) ou o conteúdo do ar, além de a granulometria da areia dentro dos limites permissíveis de distribuição, ou o uso de materiais de retenção de água. Limite 75%, conforme  tabela 4. É importante mencionar que a ASTM C270 não especifica limites ou valores para aderência, diferentemente do que o faz a Norma Brasileira. 

Tabela 4 - Especificação de propriedades das argamassas




Emprego

De forma geral a recomendação da argamassa que deve ser empregada depende fundamentalmente do tipo de alvenaria, se é ou não, alvenaria portante. São especificadas para a parede portante as argamassas de maior resistência e menor teor de ar. As argamassas de acabamento (revestimento) e reparação tem recomendações para o seu emprego diferentes.

A tabela 5 apresenta as especificações para argamassas de assentamento das alvenarias.

Tabela 5 - Guia para seleção das argamassas de assentamento

Para as argamassas de revestimento as recomendações prendem-se as argamassas N e O, com opção também para a argamassa K.  A Tabela 6 traz as recomendações quanto a especificação.

Tabela 6 - Guia para seleção de argamassas de revestimento

Neste último caso a definição do emprego realiza-se dependendo da localização, se é interior ou exterior e além disso, é proposta uma alternativa para o emprego de argamassas com maiores quantidades de cal em interiores.


É possível concluir que esta normativa tem algumas especificações importantes (principalmente em relação aos materiais e em relação a trabalhabilidade), mas não trata em detalhe as propriedades. 

As recomendações de emprego  são muito gerais, com pouca especificação e detalhamento. 


Norma EN (Europa) 

As normativas de especificação da Europa são a EN 998-1: 2010 para argamassa de revestimento e a EN 998-2:2010 para argamassas de assentamento. A EN 998-1 aplica-se a argamassa de revestimento feitas em fábrica (argamassas industriais), com base aglomerantes inorgânicos usado em paredes, tetos e pilares. Esta norma contém as definições e requisitos de desempenho final.

Esta norma não abrange as argamassas em que o sulfato de cálcio (gesso) é o principal aglutinante ativo. O aglutinante de sulfato de cálcio pode ser utilizado como um aglomerante adicional para a cal hidratada. 


A presente norma (EN 998-1) aplica-se a argamassa de revestimento, com exceção das argamassas de revestimentos feitas "in situ". No entanto, a totalidade ou parte desta Norma Europeia pode ser usada em associação com os códigos aplicáveis e especificações nacionais para argamassas feitas "in situ". A mesma não tem recomendações relativas a dosagem dos materiais.

A normativa refere-se aos procedimentos que devem ser empregados na mensuração das propriedades em estado fresco das argamassas. As propriedades que devem ser controladas são a consistência, teor de ar e de cloreto, mas não são estabelecidos limites para a classificação da argamassa baseadas nessas propriedades.  


Esta normativa primeiramente apresenta uma classificação inicial para todas as argamassas empregadas como revestimento. São avaliadas três propriedades que mostra-se na seguinte tabela. As três propriedades são determinadas em estado endurecido. 

Tabela 7 - Propriedades Classificatórias das Argamassas (EN 998-1)


Além desta primeira classificação, estabelece-se as propriedades relevantes e os valores por tipo de argamassa, os quais são usados para definir a conformidade da argamassa de acordo com o seu tipo. Estes são os requisitos exigidos para cada tipo de argamassa de revestimento.

Tabela 8 - Requisitos e Especificação de Uso das Argamassas de Revestimento(EN 998-1)


Das normativas consultadas estas são as que mais propriedades estabelece para a avaliação das argamassas, no entanto, não define com clareza dentro de cada tipo de argamassa a sua aplicação em função das condições onde serão empregadas . A normatização dos métodos de ensaio para avaliação das propriedades/requisitos também é muito abundante e detalhada.

Ainda na Europa, a normatização Espanhola tras algumas peculiaridade interessantes.Em Espanha a Associação de Fabricantes de Argamassas (AFAM) define o possível emprego das argamassa de acordo com a sua classificação inicial:

Argamassas para revestimento interior a base de cimento sem requisitos permeáveis, com a absorção de água por capilaridade W0 e resistência que, depende das especificações são entre: CSII 1,5-5 N/mm2, CSIII 3,5-7,5 N / mm2, CSIV ≥ 6 N/mm2:
  • CSII-W0 
  • CSIII-W0 
  • CSIV-W0 


Argamassas para reboco externo com base de cimento sem requisitos permeáveis, para revestimentos pintados ou com outros revestimentos de proteção com resistência encontrada entre: CSIII 3,5-7,5 N/mm2 N/mm2 CSIV ≥ 6:
  • CSIV-W0 
  • CSIII-W0 


Argamassas para rebocos exteriores a base de cimento, para revestimentos pintados ou outros revestimentos de proteção com resistência encontrada entre: CSIII 3,5-7,5 N/mm2 N/mm2 CSIV ≥ 6 e absorção por capilaridade (c), com valores ≤ 0,4 kg/m2 • min0.5 W1 equivalente a:
  • CSIII-W1 
  • CSIV-W1 


Argamassas para rebocos exteriores a base de cimento, para revestimentos não pintados e exposição ao vento e água moderada, com resistência 3,5-7,5 N/mm2 CSIII e absorção por capilaridade (c), com valores ≤ 0,4 kg/m2 • min0.5 W1 equivalente a:
  • CSIII-W1 

Argamassas para rebocos exteriores a base de cimento, para revestimentos não pintados e exposição ao vento e água moderada, com resistência CSIV ≥6 N/mm2  e absorção por capilaridade (c), com valores ≤ 0,4 kg/m2 • min0.5 W1 equivalente a:
  • CSIV-W1 


Argamassas para rebocos exteriores a base de cimento, para revestimentos não pintados e exposição ao vento e água elevada, com resistência 3,5-7,5 N/mm2 CSIII, CSIV ≥6 N/mm2 e absorção por capilaridade (c), com valores ≤ 0,2 kg/m2 • min0.5 W2 equivalente a:
  • CSIII-W2 
  • CSIV-W2 
Argamassas monocamada para revestimentos não pintados ou exposição ao vento e água moderada, com resistência CSIV ≥6 N/mm2  e absorção por capilaridade (c), com valores ≤ 0,4 kg/m2 • min0.5 W1 equivalente a:
  • OC-CSIV-W1 

Argamassas monocamada para revestimentos não pintados ou exposição ao vento e água elevada, com resistência 3,5-7,5 N/mm2 CSIII, CSIV ≥6 N/mm2 e absorção por capilaridade (c), com valores ≤ 0,2 kg/m2 • min0.5 W2 equivalente a:
  • OC-CSIII-W2 
  • OC-CSIV-W2 
Nesse mesmo pais (Espanha) , o Código Técnico da Edificação, em seu Documento Básico HS-1, sobre fachadas, também define o emprego das argamassas de acordo com a sua classificação inicial, o que mostra-se na tabela a continuação. 

Tabela 9 - Especificação de Uso das Argamassas de Revestimento (Espanha)

Sem sombra de dúvida a normatização européia é uma das mais completas. Deve ser lembrado, todavia, o contexto de elevada industrialização dos processos construtivos e a diversidade de materiais componentes o que permite uma enormidade de argamassas diferentes para usos cada vez mais específicos. Essa situação não é a que temos no Brasil, onde argamassas diferenciadas, como por exemplo, com agregados leves, são de consumo ainda inexpressivo no país.

Nossa idéia nesse tema é chamar a atenção para o que já se faz em alguns pontos do globo, o que pode enormemente contribuir para estabelecermos nossos pontos de referência para as argamassas no Brasil.

No próximo artigo traremos, ainda falando de Europa, a classificação MERUC do CSTB (França), as Normas Brasileiras, e as normas Latino-Americanas.

Toda a discussão e contribuição é bem-vinda.
Até Breve.